sexta-feira, 5 de junho de 2009

Prensa Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta ou Acoplamento Equivalente - PMEEC

1 - PRENSAS MECÂNICAS EXCÊNTRICAS DE ENGATE POR CHAVETA OU ACOPLAMENTO EQUIVALENTE - PMEEC

As Prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta (PMEEC) têm como característica o curso limitado, energia constante e força variável do martelo em função da altura de trabalho. Podem ter o corpo em forma de "C" (com um montante) ou em forma de "H" (com duplo montante), com transmissão direta do volante ou com redução de engrenagens, com mesa fixa ou regulável, horizontal ou inclinada. O volante, movimentado por um motor elétrico, está apoiado na extremidade de um eixo, através de uma bucha de engate onde se encaixa uma chaveta rotativa (Meia Cana). Em sua outra extremidade o eixo está fixado em uma bucha excêntrica, alojada em uma biela, responsável pela transformação do movimento rotativo em linear. Quando acionada, através de um pedal elétrico, pneumático ou hidráulico, ou comando bi-manual (é proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas), um dispositivo mecânico ou pistão hidráulico movimenta um pino em forma de "L" puxando uma mola que faz com que a chaveta rotativa seja acoplada a bucha de engate transmitindo o movimento de rotaçã ao conjunto eixo/bucha excêntrica, transformando o movimento linear pela biela, realizando o trabalho de descida e subida do martelo. As prensas Mecânicas Excêntricas de Engate por Chaveta (PMEEC), uma vez acionadas, possuem ciclo completo de trabalho, que consiste no movimento do martelo a partir de sua posição inicial, no Ponto Morto Superior (PMS), até o Ponto Morto Inferior (PMI), e retorno à posição inicial do ciclo, não sendo possível comandar a parada imediata do martelo após iniciado o seu movimento de descida. Este é o tipo de prensa mais utilizado no Brasil, por seu menor custo e baixa complexidade construtiva, sendo largamente encontrada em estamparias onde são requeridos maior precisão e repuxos pouco profundos.









1.1 - Estrutura: A PMEEC pode ser confeccionada em ferro fundido, aço fundido ou em chapa de aço soldada.
1.2 Cadeia Cinemática: São toda as peças que geram um movimento para ser aplicado no martelo. Sâo exemplos os volantes, as engrenagens, os eixos, as bielas, as guias, as correias, etc.




















Importante:
O conjunto ponta do eixo biela deverá ter proteção fixa, integral e resistente, pois em caso de ruptura do eixo por sobrecarga ou fadiga, evitará que a biela se projete sobre o operador.


































Importante:
Devido às suas características construtivas, é freqüente nessas prensas a ocorrência de um fenômeno denominado “REPIQUE” (repetição de golpe), devido a falhas mecânicas no sistema de acoplamento, como a quebra ou desgaste da chaveta ou do pino “L”, relaxamento das molas, entre outros, ocasionando a descida involuntária do martelo, por uma ou mais vezes.

Principais causas do REPIQUE:

Após ter efetuado uma volta, a chaveta não encontra lingüeta partindo então para uma nova volta. Este se trata do golpe redobrado imediato.

O outro tipo se refere à escora, ou lingüeta, que retorna para sua posição desligada ou desengatada muito tarde: a chaveta para, mas em posição precária ou instável e, desse modo, ela pode não retomar novo ciclo, sem ter havido imposição do mecanismo de acionamento. Este último caso representa o mais inesperado, portanto é o que oferece o maior risco de acidentes.

Outro ponto que deve ser destacado como integrante da formação do golpe redobrado ou repique é a ruptura da chaveta por fadiga. Este elemento da máquina está normalmente submetido a diversos e repetidos esforços, que podem alcançar 8000 ciclos/dia.


Merece especial atenção:

Prensas que utilizam bolsas de ar (almofada), pois sofrem contra-golpe após a batida, desincronizando o engate e rompendo a chaveta causando o repique.
Quando a máquina possui elementos acumuladores de fluídos incorporados ao seu sistema de comando, deverá ser analisada a necessidade de inspeção dos reservatórios, conforme estabelecidos na NR13.




Figura 1 -Reservatório de fluido instalado em prensa desprotegida

Figura 2 - Reservatório de Fluido

1.3 Zona de prensagem:

O espaço entre o martelo e a mesa da prensa, onde se coloca o ferramental, é chamado Zona de Prensagem, sendo a área onde o martelo implica a força. Nela encontra-se a maior área de risco, visto que a exposição do operador pode ocorrer a cada ciclo, repetindo-se várias vezes ao longo da jornada.
Por este motivo deverá ser impedido o acesso por todos os lados, através de proteção física durante o ciclo normal de trabalho.
Para manutenção ou troca de ferramental, poderá se dispor de proteção móvel intertravada que garanta a parada total da máquina (monitor de detecção de movimento); deverá ainda se utilizar dispositivo de retenção mecânica (calço) instalado entre a mesa e o martelo. A máquina deverá ser provida de chave seccionadora ou dispositivo de mesma eficácia, dotado de bloqueio que impeça qualquer partida inesperada.

Importante:
É proibido o uso de pedais ou alavancas mecânicas para acionamento. Comandos do tipo bi-manual poderão ser utilizados como acionadores a fim de eliminar o pedal, porém não constituem proteção.




PMEEC totalmente desprotegida (Figura 1 com pedal, Figura 2 com alavanca)

Poderá ser admitida a utilização de pedais com atuação elétrica, pneumática ou hidráulica, dentro de uma caixa de proteção, respeitando as dimensões previstas na NBRNM-ISSO 13853:2003, desde que não haja acesso a Zona de Prensagem através de barreira física ou quando utilizada ferramenta fechada.



Pedal elétrico protegido contra acionamento acidental (caixa de proteção)

1.4 – Proteção em prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta

Para as prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta deverá ser garantido o impedimento físico ao ingresso de qualquer parte do corpo, vestimenta, e especialmente as mãos do operador na zona de prensagem. Para tanto, as empresas devem valer-se dos seguintes recursos tecnológicos:
a) ser enclausuradas, com proteções fixas, e, havendo necessidade de troca freqüente de ferramentas com proteções móveis dotadas de intertravamento com bloqueio, por meio de chave de segurança, de modo a permitir a abertura somente após a parada total dos movimentos de risco ou,
b) operar somente com ferramentas fechadas.

Importante:

Para as prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta deverá ser adotado pelo menos um dos recursos acima apresentados, sendo considerado situação grave e iminente de risco a falta de proteção que impeça o acesso das mãos do trabalhador na zona de prensagem, podendo levar a imediata interdição do equipamento pela fiscalização do Ministério do Trabalho. Dispositivos como pinças magnéticas ou mecânicas e tenazes podem ser utilizados apenas para atividades de forjamento a quente ou a morno, com medidas de proteção que garantam o distanciamento do trabalhador à área de risco, ficando vedado o uso de afasta-mão ou similar para operações de qualquer espécie.









PMEEC dotada de proteção móvel intertravada na zona de prensagem (própria para troca freqüente de ferramentas)

Deverão ainda, ser providas de proteção fixa integral e resistente, através de chapa ou outro material rígido que impeça o ingresso das mãos e dedos nas áreas de risco tais como volantes, polias, correias e engrenagens. Estas proteções deverão prever a retenção mecânica dos componentes quanto à queda por ruptura dos mesmos.

3 comentários:

Mara disse...

Poxa vida, achei maravilhoso este artigo já salvei como meu favorito parabéns...tenho muito que aprender ainda sobre prensa e similares abraços Mara Regina

Anônimo disse...

Parabéns pelo Artigo, simples e rico em informações.
Eng. Seg. Adriana

Tiago Henrique disse...

muito bom seu blog, agora vc disse q nao se pode usar pedais para acionar prensas de acionamento por engate de chaveta entao como sera esta mudanca, pois se o acionamento e mecanico nao tem como altera-lo para eletrico e colocar um comando bi manual.